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Brasil

Vorcaro e a produtora de “Dark Horse”: como um contrato pode alterar o status de uma empresa no filme

Por Atualizado em 23 Jun 2026, 08h56 2 min de leitura Expresso Rio
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Produtora de “Dark Horse” só foi registrada na Ancine após contrato com Vorcaro
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Jim Caviezel como Jair Bolsonaro
Jim Caviezel como Jair Bolsonaro – Divulgação

A Go Up Entertainment Ltda., produtora responsável por “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, só foi cadastrada na Agência Nacional do Cinema após firmar contrato milionário ligado ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O empresário é investigado em apurações sobre fraudes no banco.

A empresa foi aberta como CNPJ em dezembro de 2021, na subclasse de “estúdios cinematográficos”, mas o registro na Ancine ocorreu apenas em 9 de julho de 2025. O dado foi revelado por O Globo e confirmado pelo Estado de Minas.

O cadastro na agência é necessário para registrar obras audiovisuais, enviar relatórios de comercialização e apresentar projetos de fomento. Antes de “Dark Horse”, a Go Up não tinha outro filme registrado. A dona da produtora, Karina Ferreira da Gama, também não aparece com obras anteriores vinculadas à empresa ou a outros CNPJs ligados a ela.

Mensagens divulgadas pelo The Intercept Brasil mostram que o registro oficial ocorreu depois do contrato de investimento para financiar o filme. Em um áudio de novembro de 2024, Flávio Bolsonaro cobra de Vorcaro uma transferência de R$ 134 milhões para a produção.

Registro da produtora Go Up na Ancine
Registro da produtora Go Up na Ancine – Reprodução/Estado de Minas

O ex-banqueiro chegou a repassar R$ 61 milhões ao projeto, segundo a reportagem. O valor supera orçamentos de produções premiadas no Oscar, como “Ainda Estou Aqui” e “Conclave”.

Mário Frias, registrado como produtor-executivo do filme, enviou em dezembro de 2024 um áudio agradecendo a Vorcaro pelo investimento. Depois da divulgação do áudio de Flávio Bolsonaro, o deputado afirmou que “não há um centavo do Master” no longa e disse que, se houvesse, “não haveria problema” por se tratar de uma relação privada.

Karina afirmou à TV Globo e à GloboNews que o orçamento já usado no filme é de US$ 13 milhões, cerca de R$ 65,65 milhões. O valor repassado por Vorcaro corresponderia a aproximadamente 92% desse total. Segundo ela, a produção precisou buscar novos investidores após a prisão do empresário.

A produtora diz que o dinheiro veio do fundo Heavensgate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, aliado de Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal apura a origem dos recursos e investiga se empresas ligadas a Vorcaro financiaram o filme. “Dark Horse” está em pós-produção, ainda sem data exata de estreia.

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