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Política

PF aponta negociação de aeronaves em acordo de R$ 50 milhões envolvendo escritório da esposa de Moraes

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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Um relatório da Polícia Federal tornou públicos novos elementos sobre as relações comerciais entre empresas ligadas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o escritório Barci de Moraes Advogados, administrado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a investigação, foram localizadas mensagens e minutas relacionadas a uma negociação de até R$ 50 milhões envolvendo a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro.

De acordo com o material analisado pela PF, a proposta previa prestação de serviços advocatícios e consultoria nas áreas administrativa, tributária e trabalhista, além de atuação em procedimentos judiciais e investigações. Uma minuta de dação em pagamento estabelecia que R$ 40 milhões poderiam ser quitados por meio de cotas de duas aeronaves, um jato Legacy 650 e um helicóptero EC 155 B1, enquanto outros R$ 10 milhões seriam destinados ao reembolso de despesas relacionadas aos voos. Mensagens obtidas pela investigação também registram discussões entre Vorcaro e seus interlocutores sobre a forma de transferência desses ativos.

Apesar das referências encontradas pela PF, não está demonstrado nos documentos públicos que as cotas das aeronaves tenham sido efetivamente transferidas ao escritório ou à família do ministro. A própria apuração registra discussões posteriores sobre a estrutura de propriedade dos ativos. Reportagens também apontam que Alexandre de Moraes utilizou ao menos uma das aeronaves mencionadas e que mensagens faziam referência ao uso das cotas por Viviane, mas essas informações, isoladamente, não comprovam a transferência definitiva da propriedade dos bens.

O Barci de Moraes Advogados contesta a existência de um segundo contrato efetivamente firmado. Em manifestação divulgada à imprensa, o escritório afirmou que apenas o contrato anterior com o Banco Master foi assinado, declarou que a nova proposta apresentada por Vorcaro não foi aceita e sustentou que não houve transferência ou substituição do acordo original. Segundo a banca, o vínculo anterior foi encerrado após a liquidação do Banco Master.

O material integra a investigação cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, do STF. O relatório policial reúne mensagens extraídas do celular de Vorcaro e documentos relacionados ao Banco Master e ao escritório Barci de Moraes. Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República questionou aspectos jurídicos da produção do relatório, e a controvérsia sobre a apuração deverá ser analisada no âmbito do Supremo. Até o momento, a divulgação dos documentos e das mensagens não representa, por si só, conclusão de responsabilidade criminal ou prática de ilícito por qualquer pessoa mencionada.

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