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Milei é alvo de novas suspeitas sobre suposta propina de US$ 5 milhões em caso $LIBRA

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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Novas revelações divulgadas pelo jornal argentino La Nación ampliaram as suspeitas em torno do escândalo envolvendo a criptomoeda $LIBRA e o presidente Javier Milei. Segundo a reportagem, documentos, transferências financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos passaram a integrar as investigações conduzidas pela Justiça da Argentina.

De acordo com a apuração, o empresário norte-americano Hayden Davis teria transferido mais de US$ 5 milhões em ativos digitais em 3 de fevereiro de 2025. As operações ocorreram poucos dias depois de um encontro entre Davis e Milei na Casa Rosada e aproximadamente duas semanas antes do lançamento da criptomoeda.

Os recursos teriam sido enviados para contas ligadas ao trader colombiano Camilo Rodríguez Blanco e ao aposentado Orlando Mellino. Os dois aparecem relacionados, segundo a investigação, a uma estrutura financeira localizada em Vicente López e associada ao lobista e operador de criptomoedas Mauricio Novelli.

Anotação encontrada em celular entra na apuração

Um dos principais elementos citados pela reportagem é uma anotação localizada no telefone celular de Novelli. O registro mencionaria um suposto acordo de US$ 5 milhões relacionado ao apoio de Milei ao projeto da $LIBRA. O documento também faria referência a um pagamento inicial de US$ 1,5 milhão após o anúncio público da criptomoeda.

A coincidência entre o valor descrito na anotação e o montante movimentado por Hayden Davis passou a ser considerada uma das linhas investigativas do caso. Até o momento, porém, a Justiça argentina não concluiu que o suposto acordo tenha sido efetivamente cumprido.

Também não há comprovação, segundo as informações divulgadas, de que os recursos tenham chegado diretamente a Milei ou a integrantes de seu governo. As suspeitas ainda são objeto de investigação pelas autoridades argentinas.

Transferências ocorreram antes do lançamento

As transferências financeiras foram realizadas quatro dias depois de Hayden Davis ter sido recebido por Milei na Casa Rosada. Na ocasião, o presidente argentino declarou publicamente que o empresário prestava aconselhamento em iniciativas relacionadas à tecnologia blockchain.

A investigação também busca esclarecer os vínculos entre os destinatários das transferências e a estrutura financeira atribuída a Mauricio Novelli. Orlando Mellino é pai de Diego Mellino, que seria sócio do estabelecimento ao lado de Eric Feldsztejn e Darío Rozental. Já Camilo Rodríguez Blanco atua como trader e também estaria relacionado à mesma estrutura.

Mensagens recuperadas do celular de Novelli também são analisadas pelos investigadores. Em uma delas, ele teria orientado a retirada de dinheiro para entrega a uma “secretária de Milei”. A interpretação da mensagem faz parte da apuração, mas o conteúdo, isoladamente, não comprova que os valores tenham sido destinados ao presidente argentino ou à secretária-geral da Presidência, Karina Milei.

Versões sobre participação de Milei são investigadas

Hayden Davis também afirmou que estava reunido com pessoas do entorno de Milei na Casa Rosada no dia do lançamento da $LIBRA. Segundo o empresário, o presidente teria participado das conversas por telefone.

A declaração diverge da versão inicialmente apresentada pelo governo argentino, segundo a qual Milei teria apenas divulgado o projeto de criptomoeda, sem participação direta na estruturação da iniciativa.

O caso ganhou repercussão após o colapso da $LIBRA, que provocou perdas para milhares de investidores depois de uma forte valorização inicial impulsionada pela divulgação feita pelo presidente argentino.

Desde então, as autoridades investigam se a influência presidencial teria sido utilizada para favorecer uma operação privada e buscam identificar o destino dos milhões de dólares movimentados antes do lançamento da criptomoeda.

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