As eleições presidenciais de 2026 podem influenciar a forma como o Brasil conduzirá sua participação no BRICS nos próximos anos. Embora uma eventual mudança de governo possa alterar prioridades diplomáticas e o grau de protagonismo brasileiro dentro do grupo, especialistas avaliam que os interesses econômicos e comerciais envolvidos tornam pouco provável uma ruptura significativa com os demais integrantes.
Para Fernando Goulart, pesquisador do Nubrics, da Universidade Federal Fluminense (UFF), o próximo presidente da República, independentemente de sua orientação política, deverá adotar uma postura pragmática diante do peso econômico dos países que compõem o BRICS. Na avaliação do pesquisador, as relações comerciais brasileiras, especialmente com países asiáticos, tendem a limitar mudanças bruscas na política externa.
Segundo Goulart, o próprio setor empresarial brasileiro deve contribuir para a manutenção dessas relações. “Eu acho que o pragmatismo do nosso empresariado vai impulsionar, seja ele qual for o próximo presidente da República, a continuar essa relação com a Ásia, que é o futuro da economia no século XXI”, afirmou.
Já Bruno de Conti, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), considera que a orientação política do futuro governo poderá modificar a maneira como o Brasil utiliza o BRICS como instrumento de política externa. Para ele, embora uma saída brasileira do grupo seja considerada improvável, um eventual governo mais alinhado à direita poderia priorizar os aspectos econômicos da relação e reduzir a participação brasileira em agendas políticas relacionadas à integração entre países do chamado Sul Global.
“Depende da orientação ideológica do presidente. Isso ficou muito claro nos anos recentes”, afirmou Conti. As avaliações dos especialistas representam análises sobre possíveis cenários e não significam que qualquer mudança na atuação brasileira dentro do BRICS esteja definida. O rumo da política externa dependerá do resultado eleitoral, das decisões do próximo governo e da conjuntura econômica e geopolítica internacional.




