O grupo Houthi, do Iêmen, anunciou nesta segunda-feira (20) a proibição imediata da navegação de embarcações sauditas no Mar Vermelho. A decisão representa uma nova escalada das tensões na região e aumenta as preocupações sobre a segurança do transporte marítimo em uma das principais rotas comerciais do mundo.
O anúncio foi feito pelo porta-voz militar dos Houthis, Yahya Sarea, em comunicado transmitido pela emissora Al-Masirah. Segundo ele, a medida segue o princípio de “bloqueio por bloqueio” e seria uma resposta ao que o grupo classifica como um cerco imposto pela Arábia Saudita ao Iêmen durante quase 12 anos.
A declaração não detalhou como nem em quais áreas a proibição será aplicada. O grupo, porém, afirmou que a decisão entrou em vigor imediatamente após o anúncio.
Houthis reagem a ataque contra aeroporto
A medida foi anunciada depois de um ataque realizado na semana passada contra o Aeroporto Internacional de Sanaa. O alvo teria sido uma aeronave iraniana que transportava uma delegação de alto escalão dos Houthis.
Os rebeldes responsabilizaram a Arábia Saudita pelo ataque e, posteriormente, lançaram mísseis e drones em direção ao território saudita. O episódio ampliou a tensão entre as partes e elevou o risco de novos confrontos na região.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen afirmou que adotará as medidas necessárias para proteger suas embarcações comerciais que atravessam o Estreito de Bab al-Mandab, passagem estratégica entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.
Arábia Saudita promete proteger embarcações
O porta-voz da coalizão, Turki Al-Malki, declarou que o comando das forças conjuntas está tomando medidas operacionais consideradas necessárias e decisivas para garantir a segurança dos navios que passam pelo estreito.
Al-Malki também rejeitou a ameaça de bloqueio anunciada pelos Houthis, classificando a declaração como “falácias e uma escalada”. Segundo ele, mais de 300 navios comerciais entraram em portos controlados pelo grupo no primeiro semestre deste ano, transportando produtos como alimentos e combustíveis.
O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita também condenou o anúncio e afirmou que o país trabalha para reduzir o sofrimento da população iemenita por meio de projetos de desenvolvimento e apoio orçamentário.
Conflito ameaça frágil trégua no Iêmen
O Iêmen vive um conflito desde o fim de 2014, quando os Houthis assumiram o controle de Sanaa e de grande parte do norte do país. Em 2015, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio militarmente no território.
A escalada mais recente aumenta o temor de que a relativa redução das hostilidades alcançada após a trégua mediada pela Organização das Nações Unidas, em 2022, seja comprometida. A possível restrição à navegação também gera preocupação sobre o impacto nas rotas comerciais internacionais.
O aumento das tensões contribuiu para a alta dos preços do petróleo nesta segunda-feira. O contrato do West Texas Intermediate (WTI) para agosto avançou 0,9% e encerrou o pregão a US$ 83,23 por barril na Bolsa Mercantil de Nova York.
Já o petróleo Brent para setembro subiu 1,27%, fechando a US$ 89,22 por barril na bolsa ICE Futures, em Londres. A região do Mar Vermelho é considerada estratégica para o comércio global de energia e mercadorias, o que faz com que qualquer ameaça à navegação possa repercutir nos mercados internacionais.




