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Campos dos Goytacazes

Vereador Anderson de Matos exige ação urgente para pacientes com câncer em Campos, vítimas da demora na regulação de tratamento oncológico

Por Atualizado em 23 Jun 2026, 09h24 3 min de leitura Expresso Rio
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A situação enfrentada por pacientes oncológicos em Campos dos Goytacazes foi levada novamente à tribuna da Câmara Municipal pelo vereador Anderson de Matos, que fez um apelo contundente ao Governo do Estado e denunciou a demora no encaminhamento de pessoas diagnosticadas com câncer para consultas, cirurgias e tratamentos especializados.

Durante a sessão, o parlamentar afirmou que 85 pacientes aguardam atualmente na fila da regulação estadual, sem previsão para o início do atendimento. Segundo ele, a demora tem comprometido diretamente a saúde de pessoas que já enfrentam a confirmação da doença e dependem do sistema público para iniciar o tratamento.

Em seu pronunciamento, Anderson destacou que o diagnóstico de câncer não pode ser transformado em uma sentença de morte por conta da lentidão burocrática. Ao relatar o caso, ele utilizou um caixão e um sino como forma simbólica de chamar atenção para o drama vivido pelas famílias.

O vereador detalhou que entre os pacientes à espera estão 23 pessoas com câncer no trato urinário e próstata, 34 mulheres com câncer de mama, oito pacientes com câncer clínico, seis com câncer no sistema reprodutor feminino, quatro aguardando cirurgia para retirada de tumores, um paciente com tumor neurológico e oito pessoas que dependem de tratamento fora do domicílio.

O caso que mais chamou atenção, segundo o parlamentar, é o de pacientes que aguardam transferência desde julho de 2025. Ele afirmou que há pessoas esperando há meses pela autorização estadual para deixar o município e realizar tratamento em outras cidades, o que, segundo ele, agrava ainda mais o sofrimento de quem já convive com o diagnóstico.

Durante o discurso, Anderson comparou a realidade de Campos com uma recente ação anunciada pelo Governo do Estado na Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, onde, segundo matéria citada pelo vereador, a fila de 162 pacientes para consulta em mastologia oncológica foi zerada.

Para o parlamentar, a comparação expõe uma desigualdade. Ele argumentou que, proporcionalmente, a situação em Campos é ainda mais grave, já que o número de pacientes em espera é alto para a realidade do município. No pronunciamento, ele questionou o motivo de a fila avançar em outras regiões e permanecer parada no interior.

Anderson também mencionou o chamado “sino da regulação”, citado na reportagem sobre a capital, utilizado para marcar o encerramento de filas importantes. Em tom crítico, afirmou que, em Campos, o sino “permanece enterrado”, simbolizando a falta de respostas para os pacientes da cidade.

Ao reforçar a cobrança, o vereador lembrou a vigência da Lei nº 12.732, que estabelece que pacientes com diagnóstico de neoplasia maligna devem iniciar o primeiro tratamento pelo Sistema Único de Saúde em até 60 dias após a confirmação em laudo patológico, podendo esse prazo ser menor conforme a necessidade clínica.

Segundo Anderson, o descumprimento da legislação pode gerar responsabilização administrativa dos gestores responsáveis. Ele afirmou que, caso a fila não avance nos próximos dias, pretende buscar medidas formais junto à superintendência estadual responsável pela regulação.

Ainda de acordo com o vereador, os registros mostram que algumas solicitações para primeira consulta datam de 28 de janeiro de 2026. Ele ressaltou que, mesmo com exames confirmando o câncer, dezenas de pacientes seguem sem sequer conseguir o primeiro atendimento especializado.

Ao encerrar o discurso, Anderson reforçou que continuará cobrando providências e afirmou que não aceitará que os casos permaneçam sem solução. Para ele, a demora compromete diretamente as chances de tratamento e recuperação, já que, em doenças oncológicas, o tempo é um fator decisivo para a vida dos pacientes.

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