Pular para o conteúdo
Política

Gonet envia caso de Alessandro Vieira à Procuradoria Eleitoral após ação de Gilmar

Por 3 min de leitura Expresso Rio
gonet-envia-caso-de-alessandro-vieira-a-procuradoria-eleitoral-apos-acao-de-gilmar
Gonet envia caso de Alessandro Vieira à Procuradoria Eleitoral após ação de Gilmar
Seguir no Google News
Ouvir texto Pronto
Senador Alessandro Vieira no Senado Federal
Senador Alessandro Vieira durante leitura de relatório da CPI do Crime Organizado no Senado. Foto: Reprodução

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou à Procuradoria Regional Eleitoral em Sergipe o dossiê aberto contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) a partir de uma representação do ministro Gilmar Mendes, do STF. A medida pode levar a uma apuração eleitoral sobre abuso de autoridade e atingir a elegibilidade do parlamentar.

No despacho, Gonet pediu que o procurador eleitoral do Estado adote “as providências que acaso se fizerem necessárias”. O envio a Sergipe ocorre porque Vieira pretende disputar eleição no Estado, o que coloca a Procuradoria Regional Eleitoral como responsável por avaliar eventuais medidas na esfera eleitoral.

Gilmar acionou a PGR em abril e pediu investigação contra o senador por abuso de autoridade. O ministro sustenta que Vieira desviou a finalidade de sua atuação como relator da CPI do Crime Organizado ao propor o indiciamento dele por crime de responsabilidade no relatório final da comissão.

Gonet concordou com a argumentação de Gilmar no documento encaminhado à Procuradoria Eleitoral. Para o procurador-geral, “o ato promovido pelo Senador relator [de indiciar o ministro do STF] destoou sobremaneira do escopo investigativo [da CPI], desviando rumo, para vir a se deter em fatos e providências – crimes de responsabilidade e indiciamento de autoridades – estranhos ao objeto e à competência da comissão parlamentar”.

Expresso Rio
Paulo Gonet ao lado de Gilmar Mendes. Foto: Divulgação

O chefe da PGR afirmou ainda que apenas o Supremo Tribunal Federal pode indiciar ministros da própria Corte. Ele também criticou a forma como a proposta contra Gilmar Mendes ganhou publicidade no encerramento dos trabalhos da CPI do Crime Organizado.

“A forma com que vertida a proposta de indiciamento, com solenidade, valendo-se —ainda que com equívoco jurídico —de expressões técnicas, de maneira pública e vexatória para o ministro, durante sessão própria ocorrida no âmbito do Senado Federal e perante os demais pares, agrava ainda mais o malfeito, por insinuar ao cidadão verossimilhança nas abismantes acusações deduzidas”, escreveu Gonet.

Alessandro Vieira pediu o arquivamento do caso e alegou imunidade parlamentar. “É cristalino que um senador, ao manifestar sua avaliação jurídica sobre fatos concretos em voto proferido no âmbito de uma CPI, não comete abuso de autoridade e está resguardado pela imunidade parlamentar. Ameaças e tentativas de constrangimento não vão mudar o curso da história”, escreveu o senador quando a ação de Gilmar veio a público.

No mesmo posicionamento, Vieira afirmou: “As pessoas que estão sentadas na Suprema Corte não são donas do país. […] Eu não me curvo à ameaça. Não me curvava cidadão, não me curvava delegado, não vou me curvar como senador da República”. Ao remeter o caso a Sergipe, Gonet também citou o julgamento de Jair Bolsonaro no TSE, em junho de 2023, quando a Corte Eleitoral declarou o ex-presidente inelegível por abuso de poder político.

Ouvir texto Pronto