Pular para o conteúdo
Justiça

Cidade de SP com 26 mil habitantes perde até R$ 15 milhões da previdência com o Master

Por 3 min de leitura Expresso Rio
cidade-de-sp-com-26-mil-habitantes-perde-ate-r$-15-milhoes-da-previdencia-com-o-master
Cidade de SP com 26 mil habitantes perde até R$ 15 milhões da previdência com o Master
Seguir no Google News
Ouvir texto Pronto
Expresso Rio
Fachada do Banco Master. Foto: reprodução

A Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara de Brodowski (SP), cidade com 26 mil habitantes, apontou perdas em aplicações de cerca de R$ 15 milhões da previdência dos servidores municipais em ativos ligados ao Banco Master. O relatório final atribuiu o caso a falhas de governança e deficiências técnicas no Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município, o Sisprev.

A investigação durou 180 dias e não indicou responsáveis diretos. O presidente da CPI, vereador Renan Valente Nunes Faria (Podemos), afirmou que a Câmara encaminhará o relatório ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo para que os órgãos apurem eventuais responsabilidades.

A comissão examinou uma aplicação de R$ 10 milhões em Letra Financeira emitida pelo Banco Master, realizada em maio de 2024, sob o mandato do professor Luiz Perez (PSDB), e outra de R$ 5 milhões, feita em abril de 2025, já na gestão de Fábio Severi (Podemos), por meio de um fundo que mantinha posição em ativo relacionado à instituição. Segundo Renan, o primeiro aporte se perdeu após a liquidação do banco, enquanto o segundo caiu para cerca de R$ 500 mil.

O relatório apontou fragilidade na governança do Sisprev, centralização das decisões, falhas em atas e falta de capacitação dos responsáveis por analisar e aprovar investimentos. A CPI também questionou a composição do Comitê de Investimentos do instituto.

Expresso Rio
Prefeitura de Brodowski. Foto: reprodução

CPI questiona qualificação do comitê de investimentos

“Pessoas que estavam nesse comitê de investimento não tinham capacidade técnica de estar onde estavam”, disse Renan à EPTV. Ele afirmou que o grupo reunia servidores de áreas diversas, incluindo ocupantes de cargos administrativos, secretários e um motorista.

“Às vezes, por cargo de comissionamento, estavam naquele local, mas não tinham essa capacidade técnica. E isso foi o demonstrativo principal e conclusão da CPI”, acrescentou o vereador. A comissão classificou as falhas como estruturais, e não como um episódio isolado.

Em nota, o Sisprev afirmou que todas as aplicações seguiram a legislação, as normas técnicas e a política de investimentos do instituto. O órgão sustentou que os integrantes do comitê têm a formação e as certificações exigidas e que as decisões passam por estudos, análises de risco e pareceres de consultoria especializada.

A Prefeitura de Brodowski declarou que o investimento realizado em 2024 ocorreu na administração anterior, antes do início da gestão atual, em 1º de janeiro de 2025. A administração municipal afirmou ter substituído responsáveis pela gestão dos investimentos, capacitado conselheiros e criado novos procedimentos de controle.

O relatório recomenda que o Ministério Público examine possíveis atos de improbidade administrativa, dano ao erário, violações de deveres legais e responsabilidades civis de agentes públicos ou particulares. Ao Tribunal de Contas, a CPI pediu análise sobre a regularidade dos investimentos, das atas, dos pareceres e do funcionamento do comitê.

A comissão ainda sugeriu que o Sisprev exija documentação técnica antes das votações, estabeleça prazo mínimo entre a apresentação de propostas e a decisão final e adote critérios técnicos para nomear dirigentes e integrantes do Comitê de Investimentos. As recomendações não representam juízo definitivo de culpa.

Ouvir texto Pronto