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Brasil

Árbitro da Somália é recusado entrada nos EUA e culpa o preconceito contra sua nacionalidade

Por Atualizado em 10 Jul 2026, 21h50 3 min de leitura Expresso Rio
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“Eles têm um problema com o meu país”, diz árbitro da Somália barrado nos EUA
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O árbitro Omar Abdulkadir Artan. Foto: Divulgação

O árbitro da Somália Omar Abdulkadir Artan, selecionado pela Fifa para atuar na Copa do Mundo de 2026, afirmou que teve o sonho de participar do torneio interrompido após ser impedido de entrar nos Estados Unidos. Em entrevista ao jornal The New York Times, o profissional relatou ter passado cerca de 11 horas em interrogatório no aeroporto de Miami antes de receber a negativa das autoridades migratórias.

Artan disse que apresentou visto válido, documentos da Fifa e registros de sua trajetória internacional, mas não recebeu explicações detalhadas para a decisão. “Acho que eles têm um problema com o meu país”, afirmou.

“Estou muito, muito desapontado. Sou apenas um árbitro tentando viver seu sonho, o maior sonho da minha vida, vir para a Copa do Mundo. Acho que eles [Estados Unidos] têm um problema com meu país. Eu tinha os papéis certos e tudo. Eu tinha o visto correto”. Após a recusa, ele relatou que permaneceu detido por mais algumas horas antes de embarcar em um voo para Istambul, na Turquia.

Aos 34 anos, o árbitro seria o primeiro representante da Somália a trabalhar em uma Copa do Mundo. Ele integrava o grupo de 52 árbitros selecionados pela Fifa para a competição e era considerado um dos principais nomes da arbitragem africana. Em 2025, foi eleito árbitro do ano pela Confederação Africana de Futebol (CAF).

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Omar Abdulkadir Artan durante partida de futebol. Foto: Divulgação

Segundo a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, o somali foi submetido a uma inspeção adicional antes da decisão final. Em nota enviada ao The New York Times, o órgão afirmou que o profissional “foi considerado inadmissível devido a preocupações com a verificação e teve a entrada negada”.

Ele contou que vinha se preparando há quatro anos para atuar no Mundial e participou de cursos promovidos pela Fifa no Catar e nos Emirados Árabes Unidos. Ele também destacou que apresentou fotografias e documentos que comprovavam sua atuação em competições internacionais de alto nível.

Entre os principais jogos de sua carreira está a final da Liga dos Campeões da África entre Pyramids FC, do Egito, e Mamelodi Sundowns, da África do Sul. O árbitro também atuou na Copa Africana de Nações e foi apontado como um dos principais representantes da arbitragem africana na atualidade.

A Fifa confirmou que Omar Artan não poderá participar da Copa do Mundo e informou que não interfere em processos migratórios dos países-sede. Em comunicado, a entidade declarou: “A Fifa foi informada pelas autoridades de que a situação do Sr. Artan não será alterada neste momento.”

O governo da Somália afirmou que tentou negociar uma solução com autoridades americanas e com a Fifa, mas não conseguiu reverter a decisão. Sem autorização para entrar nos Estados Unidos, Artan retornará a Mogadíscio e ficará fora do torneio que será disputado em conjunto por Estados Unidos, Canadá e México.

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