O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) voltou a repercutir as investigações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao comentar os desdobramentos do caso, o parlamentar afirmou que “vai todo mundo preso” e declarou que “o cerco está fechando”. A manifestação representa uma avaliação política de Lindbergh e não significa que os investigados tenham sido condenados ou que exista decisão judicial determinando prisões.
O caso envolve diferentes frentes de investigação. Uma delas apura os recursos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, destinados à produção do longa. Reportagens baseadas em mensagens e áudios apreendidos apontaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu recursos a Vorcaro e que aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido transferidos para o projeto. A Polícia Federal foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a investigar a destinação desses valores.
Outra frente investiga a eventual utilização irregular de emendas parlamentares destinadas a entidades relacionadas à empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment. A Polícia Federal também recebeu autorização para acessar provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo. Entre os parlamentares citados nas apurações está Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil. Frias nega que esses recursos tenham sido utilizados para financiar o filme.
Nos últimos dias, a defesa de Mário Frias apresentou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido para que uma das apurações atualmente relacionada ao ministro Flávio Dino seja redistribuída ao ministro André Mendonça. Os advogados argumentam que Mendonça já conduz investigações relacionadas ao financiamento de Dark Horse e sustentam que a concentração dos procedimentos evitaria decisões conflitantes. O pedido ainda depende de análise do Supremo e, por si só, não representa reconhecimento de irregularidade por parte do parlamentar.
Lindbergh, que já havia apresentado notícia-crime ao STF pedindo a investigação dos repasses relacionados ao filme, passou a usar os novos desdobramentos para cobrar aprofundamento das apurações. Apesar do tom contundente adotado pelo deputado, as diferentes investigações continuam em andamento e ainda não representam conclusão sobre responsabilidade criminal dos envolvidos. Caberá à Polícia Federal, à Polícia Civil, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário avaliar as provas e definir se existem elementos suficientes para eventual responsabilização.




