O crescimento de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas eleitorais passou a ocupar espaço no debate sobre a corrida presidencial de 2026. Na pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (31), o escritor e psiquiatra alcançou 11% das intenções de voto em um dos cenários estimulados e apareceu em terceiro lugar, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL). Na rodada anterior do mesmo instituto, Cury registrava 2%.
O avanço, entretanto, deve ser analisado com cautela. Uma pesquisa isolada não é suficiente para estabelecer uma tendência eleitoral definitiva, principalmente porque institutos utilizam metodologias, amostras e formas de coleta diferentes. Ainda assim, outros levantamentos recentes também identificaram crescimento de Cury. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, por exemplo, registrou avanço do candidato de 1,6% para 7,8%, reforçando a necessidade de acompanhar as próximas rodadas para verificar se o movimento terá continuidade.
A projeção ocorre após um período de maior exposição pública do candidato. Depois do debate presidencial realizado pela Band em 23 de agosto, Cury registrou forte expansão nas redes sociais. Levantamento da Ativaweb DataLab citado pelo UOL apontou que o perfil do candidato ganhou aproximadamente 2,5 milhões de seguidores no período analisado e teve aumento expressivo na taxa de engajamento. O crescimento digital ocorreu antes de sua alta mais significativa nas pesquisas eleitorais, embora esses dados, por si só, não permitam estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre desempenho nas redes e intenção de voto.
Antes de ingressar na disputa eleitoral, Augusto Cury já possuía amplo reconhecimento público como escritor, médico psiquiatra e palestrante. Autor de livros voltados principalmente a temas como comportamento, ansiedade, relações humanas e inteligência emocional, construiu ao longo de décadas uma audiência que antecede sua participação na política. Essa exposição anterior diferencia sua candidatura de nomes que chegam a uma eleição nacional dependendo inicialmente da estrutura partidária para conquistar reconhecimento.
A candidatura também vem tentando ocupar um espaço eleitoral associado à rejeição da polarização política. Em discursos e entrevistas, Cury tem defendido conceitos relacionados à pacificação e à conciliação. A possibilidade de conquistar eleitores que não se identificam integralmente com os dois principais polos da disputa passou, por isso, a ser discutida por campanhas adversárias e analistas. Até o momento, contudo, não há elementos suficientes para afirmar que seu crescimento represente uma mudança definitiva na estrutura da eleição.
O avanço também provocou reação de concorrentes. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), que disputam parcelas do eleitorado fora dos dois principais candidatos, fizeram declarações após a divulgação dos levantamentos. Ao mesmo tempo, a rápida expansão digital de Cury gerou questionamentos de adversários sobre a origem de parte do engajamento. A campanha do candidato negou uso de robôs ou pagamento irregular a influenciadores e afirmou que o crescimento ocorreu de forma espontânea. Até o momento, as suspeitas mencionadas por adversários não equivalem à comprovação de irregularidades.
Com pouco mais de um mês até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, as próximas pesquisas terão papel importante para indicar se o desempenho registrado por Augusto Cury será mantido, ampliado ou reduzido. Levantamentos de outros institutos permitirão observar se diferentes metodologias continuam identificando movimento semelhante entre os eleitores. Por enquanto, os números mostram uma mudança relevante no estágio atual da campanha, mas ainda não autorizam previsões seguras sobre eventual segundo turno ou sobre o resultado da eleição.
A corrida presidencial permanece aberta, e os levantamentos representam fotografias do momento em que são realizados, não previsões do resultado das urnas. O desempenho de Augusto Cury, portanto, passa a ser um dos movimentos a serem acompanhados nas próximas semanas, sobretudo para verificar de onde vêm seus novos eleitores e se o crescimento registrado até agora conseguirá se sustentar ao longo da campanha.




