Pular para o conteúdo
Mundo

Trump ameaça disputar quarto mandato e desafia limite constitucional dos EUA

Por 4 min de leitura Expresso Rio
trump-ameaca-disputar-quarto-mandato-e-desafia-limite-constitucional-dos-eua
Trump ameaça disputar quarto mandato e desafia limite constitucional dos EUA
Seguir no Google News
Ouvir texto Pronto
Donald Trump discursa no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca
Donald Trump discursa no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca no Waldorf Astoria, em Washington. Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou disputar um quarto mandato na Casa Branca durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, na sexta-feira (24), em Washington. A declaração chamou atenção porque a Constituição americana limita um presidente a dois mandatos e impede uma nova candidatura presidencial dele em 2028.

“Para mostrar o quanto me importo com a imprensa e salvar a audiência de vocês, quero anunciar minha intenção de concorrer a um quarto mandato como presidente dos Estados Unidos”, disse Trump diante de jornalistas, autoridades e convidados do evento.

Trump afirmou que já venceu três disputas eleitorais e sustentou que uma nova campanha seria fácil. “Estou ficando muito bom em concorrer à Presidência. Fiz isso três vezes e fui muito bem na segunda”, declarou. Ele venceu oficialmente as eleições de 2016 e 2024; em 2020, o democrata Joe Biden derrotou o republicano, que contesta o resultado e alega fraude eleitoral sem apresentar provas.

Durante o discurso, o presidente voltou a questionar a segurança do sistema eleitoral americano e disse que o país precisa “melhorar” seus processos de votação. Ele também ironizou a cobertura da imprensa sobre seu governo: “Às vezes, eu acho que alguns de vocês não gostam de mim”. Em seguida, afirmou ter lido um relatório segundo o qual recebe “93% de cobertura negativa” e perguntou: “Como diabos eu consegui vencer a eleição com tanta folga?”.

Expresso Rio
Trump no jantar dos correspondentes da Casa Branca, após o atentado

Ataque anterior levou evento a novo hotel e segurança reforçada

O jantar ocorreu sob forte esquema de segurança porque a edição anterior, marcada para abril, terminou interrompida por um ataque a tiros. Na ocasião, um homem armado tentou entrar no salão, trocou tiros com agentes do Serviço Secreto na entrada, Trump deixou o local às pressas e jornalistas se esconderam sob as mesas.

Para a nova data, o Serviço Secreto reforçou a proteção no entorno do hotel, isolou ruas da região e montou um perímetro de segurança. A cerimônia também saiu do Washington Hilton e foi transferida para o Waldorf Astoria; os organizadores afirmaram que o hotel menor permite controle mais rígido da entrada dos convidados.

O atirador foi identificado como Cole Allen, californiano de 31 anos. Ele se declarou inocente das acusações do Ministério Público, incluindo tentativa de assassinato do presidente. Antes do jantar remarcado, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump estava ansioso para “terminar o que começou antes que uma tentativa de assassinato desprezível interrompesse o evento original”.

Trump abandonou o tom de provocações ao falar sobre o conflito com o Irã. Ele afirmou que os ataques americanos causaram perdas severas à nação persa: “Nós atingimos o Irã com muita força. A Marinha deles praticamente deixou de existir. A Força Aérea também foi destruída. Eles perderam cerca de 250 aviões de combate e 159 embarcações”. O republicano disse que Teerã voltou a conversar com Washington, mas que ainda não vê condições para um acordo.

O presidente também citou suas disputas com a imprensa. Seu governo retirou a Associated Press do grupo de jornalistas com acesso privilegiado à Casa Branca e restringiu o acesso de profissionais ao Pentágono, sob a justificativa de proteger informações sensíveis e reforçar a segurança. No Salão Oval, Trump defendeu intimações federais contra jornalistas do “New York Times”, depois retiradas, e disse: “Não estamos atrás dos jornalistas. Estamos atrás dos vazadores de informações”. Centenas de jornalistas veteranos e oito organizações profissionais assinaram uma carta pedindo que a Associação de Correspondentes da Casa Branca condene ações classificadas por eles como ataques à Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão e de imprensa nos EUA.

Ouvir texto Pronto