Pular para o conteúdo
Mundo

Tarifaço de Trump reacende debate sobre reciprocidade após exigências dos EUA ao Brasil

Por 3 min de leitura Expresso Rio
tarifaco-de-trump-reacende-debate-sobre-reciprocidade-apos-exigencias-dos-eua-ao-brasil
Tarifaço de Trump reacende debate sobre reciprocidade após exigências dos EUA ao Brasil
Seguir no Google News
Ouvir texto Pronto
Expresso Rio
Donald Trump no anúncio do.tarifaço mundial em fevereiro de 2025. Foto: Reprodução/Reuters

O tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros recolocou em discussão no Planalto a Lei da Reciprocidade Econômica, após autoridades dos Estados Unidos apresentarem exigências consideradas duras por auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com informações de G1.

O governo brasileiro ouviu de representantes americanos que setores de bens industriais, químico, aeroespacial e automotivo deveriam ter tarifas zeradas para empresas dos EUA como condição para que Washington considerasse ao menos reduzir as novas taxas contra o Brasil.

A lista de pedidos também incluiu demandas apresentadas em reuniões anteriores: zerar a tarifa do etanol, não regulamentar plataformas digitais e incluir o PIX nas negociações bilaterais. A inclusão do sistema brasileiro de pagamentos ampliou a preocupação de integrantes do governo com o alcance das exigências americanas.

Uma ala do Palácio do Planalto avaliou a proposta como “indigna” de negociação e “inaceitável”. Para esses auxiliares, aceitar os pedidos de Washington causaria impacto maior à economia brasileira do que as novas tarifas, que devem atingir 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, conforme cálculo inicial do governo.

Disputa política e canais de negociação

A decisão americana abriu uma disputa sobre a responsabilidade pelo novo tarifaço. A oposição atribui o episódio a falhas na negociação e culpa Lula, enquanto integrantes do governo afirmam que a medida tem caráter “ideológico” e “político”. As novas taxas têm previsão de entrada em vigor em 22 de julho.

Expresso Rio
Ministros de Lula e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo durante a entrevista coletiva sobre o tarifaço dos EUA. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

Levantamento da diplomacia brasileira aponta mais de 30 contatos desde o anúncio original das tarifas. As conversas ocorreram por telefone, videoconferência e reuniões presenciais, em níveis presidencial, ministerial e técnico.

Interlocutores do governo Lula avaliam que o Departamento de Estado americano não deve abrir espaço para avanços relevantes nas negociações ao longo do ano, em razão do calendário eleitoral brasileiro. Mesmo assim, o Planalto pretende manter o canal de diálogo com foco em reduzir prejuízos aos setores afetados.

A estratégia brasileira será conduzir os próximos passos “não deixando a emoção tomar conta” e “de olho nos atores” americanos, afirmou um negociador. Ele disse que os Estados Unidos buscam argumentos que possam ser usados contra o Brasil neste momento.

Ouvir texto Pronto