A Nasa divulgou nesta terça-feira (7) as primeiras imagens captadas pela missão Artemis 2 durante o sobrevoo da Lua realizado no dia anterior. As fotografias incluem um registro raro da Terra surgindo atrás do satélite natural, feito a partir do lado oculto lunar, além de um eclipse solar observado diretamente da órbita da Lua.
O sobrevoo ocorreu na segunda-feira (6) e marcou um momento histórico na exploração espacial. Às 14h56 (horário de Brasília), os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen se tornaram os humanos que viajaram mais longe da Terra, superando o recorde estabelecido pela missão Apollo 13, em 1970.
Recordes e trajetória inédita
A aproximação máxima da cápsula Orion à Lua aconteceu às 20h02, quando a nave chegou a cerca de 6.550 quilômetros da superfície lunar. Poucos minutos depois, às 20h07, a missão atingiu também o ponto mais distante da Terra já registrado por humanos: 406.773 quilômetros.
Durante o trajeto ao redor da Lua, a tripulação realizou observações científicas e enviou dados à equipe em solo. Um momento crucial ocorreu às 19h44, quando começou o esperado período de perda de comunicação — o chamado “apagão” — enquanto a nave passava pelo lado oculto do satélite.
Imagem histórica do “pôr da Terra”
Foi justamente durante esse intervalo sem contato que os astronautas capturaram uma das imagens mais simbólicas da missão. A fotografia mostra a Terra desaparecendo no horizonte lunar e foi batizada de “Earthset” (pôr da Terra).
“A humanidade, vista do outro lado. Primeira foto do lado oculto da Lua. Capturada da Orion enquanto a Terra desaparece além do horizonte lunar”, diz a legenda divulgada pela Nasa.
A imagem remete à icônica fotografia “Earthrise” (nascer da Terra), registrada em 1968 durante a missão Apollo 8. Como homenagem, a Artemis 2 levou a bordo um pequeno mascote de pelúcia chamado Rise, inspirado naquela histórica captura.
Eclipse solar visto da órbita lunar
O eclipse do Sol, com a Lula em primeiro plano, fotografado da Artemis
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“Totalidade, além da Terra. Da órbita lunar, a Lua eclipsa o Sol, revelando uma visão que poucos na história da humanidade já testemunharam”, descreveu a Nasa ao divulgar a imagem do evento.
Durante o eclipse, os astronautas foram encarregados de observar e registrar características da coroa solar. Para isso, utilizaram diferentes equipamentos a bordo, como câmeras profissionais, iPhones e dispositivos de ação.
Relatos da tripulação
Após a manobra, a tripulação participou de uma conversa ao vivo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de um diálogo mais longo com o administrador da Nasa, Jared Isaacman.
O comandante Reid Wiseman destacou a experiência inédita de observar a Lua de uma nova perspectiva. “Quando contornamos o lado próximo da Lua, vimos as paisagens que observamos da Terra durante toda a nossa vida, mas estávamos vendo de uma perspectiva diferente”, afirmou.
Ele acrescentou: “E então começamos a ver lugares que nenhum ser humano jamais havisto antes, nem mesmo na Apollo”.
O astronauta Jeremy Hansen também relatou o impacto da experiência. “Estávamos tranquilos, fazendo nosso trabalho tentando coletar o máximo de dados”, disse. Em seguida, descreveu a sensação ao observar o lado oculto: “Você tinha aquela esfera à sua frente e sentia que não estava em uma cápsula, era como se tivesse sido transportado para o lado oculto da Lua. Aquilo mexe com a sua cabeça.”
Retorno à Terra já tem data
A missão Artemis 2 foi lançada no dia 1º de abril a partir de Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo do foguete SLS (Space Launch System). Trata-se da primeira missão tripulada à Lua desde 1972, quando a Apollo 17 levou astronautas ao solo lunar.
Após completar o sobrevoo, a nave Orion já está em trajetória de retorno à Terra. A amerissagem está prevista para a noite de sexta-feira (10), às 21h07 (horário de Brasília), no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, na Califórnia.




