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Justiça

MPE tenta barrar candidatos que adotam “Bolsonaro” na urna sem ter o sobrenome

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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MPE tenta barrar candidatos que adotam “Bolsonaro” na urna sem ter o sobrenome
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Ilustração sobre candidaturas que usam o nome Bolsonaro na urna
Ilustração sobre candidaturas que adotam Bolsonaro como nome de urna. Foto: Reprodução

O Ministério Público Eleitoral tenta impedir que candidatos usem “Bolsonaro” como nome de urna sem terem o sobrenome no registro civil. Ao menos 17 pessoas já registraram candidaturas para as eleições de 2026 com essa identificação, prática que a legislação eleitoral veda quando pode causar dúvida sobre a identidade do concorrente.

Em Rondônia, a Procuradoria Regional Eleitoral pediu nesta terça-feira (11) a impugnação da candidatura de Bruno Scheid ao Senado. Ele se registrou como “Bruno Bolsonaro Scheid”, e o órgão apontou risco de desinformação e de indução do eleitorado ao erro.

Para o MPE, Scheid “construiu artificialmente o sobrenome Bolsonaro durante a pré-campanha” para obter vantagem eleitoral. A procuradoria afirmou que ele não tem parentesco com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro e classificou a conduta, em tese, como fraude à legislação eleitoral.

Em São Paulo, o MPE também pediu o indeferimento do nome de urna da deputada estadual Fabiana Barroso, que concorre como “Fabiana Bolsonaro”. O órgão sustentou que a escolha pode confundir eleitores, provocar migração de votos e desequilibrar a disputa.

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Ficha eleitoral de 2022 da candidata Fabiana Bolsonaro, identificada como Fabiana B. Reprodução

Disputa em São Paulo reúne seis candidatos com Bolsonaro no nome

Fabiana já tentou concorrer com esse nome em 2022, mas o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo rejeitou a identificação por unanimidade. Naquele pleito, ela disputou como “Fabiana B”; depois de eleita, passou a usar “Fabiana Bolsonaro” na Assembleia Legislativa.

Seis pessoas se registraram como “Bolsonaro” na disputa por cadeiras de deputado estadual em São Paulo, cinco delas pelo PL. Marcelo Bolsonaro e Valeria Bolsonaro, ambos do partido, têm vínculo familiar com o ex-presidente: ele é primo de Jair Bolsonaro, enquanto ela é casada com um primo de segundo grau.

O militar da reserva Mosart Aragão Pereira registrou a candidatura como “Capitão Mosart Bolsonaro” e diz que Jair Bolsonaro lhe pediu o uso do nome. O MPE busca impugnar o registro, enquanto Mosart afirma ter trabalhado na estrutura da Presidência durante o governo Bolsonaro e cita Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, como padrinho de sua filha.

O candidato Thiago Felipe Neves, do PL, adotou “Thiago Neves Enéas Bolsonaro” como nome de urna. O MPE entende que a combinação tenta sugerir parentesco tanto com Jair Bolsonaro quanto com Enéas Ferreira Carneiro, ex-candidato à Presidência pelo Prona.

Samanta Salerno de Almeida concorre como “Samanta Bolsonaro”, apesar de não ter o sobrenome. Em 2022, a Justiça Eleitoral aceitou seu nome de urna após ela apresentar fotos com Jair Bolsonaro e publicações que a identificavam dessa forma.

Em Roraima, o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), aliado de Jair Bolsonaro, tenta disputar o Senado como “Hélio Bolsonaro”. O MPE questionou sua mudança de domicílio eleitoral, mas os documentos disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral não apontam contestação ao uso do sobrenome.

Outros candidatos adotaram a fórmula “do Bolsonaro”, como Flaviane Ramalho, registrada no Mato Grosso pelo Novo como “Flaviane do Bolsonaro”, e Renato Araújo do Bolsonaro, candidato pelo PL no Rio de Janeiro. Já Jean Carlos Dias Barbosa Lopes teve deferido no Rio o nome “Jean Bolsonaro” para disputar uma vaga de deputado federal, mesmo sem possuir o sobrenome.

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