Pular para o conteúdo
Mundo

Imigrantes ilegais podem pagar multa de R$ 9,2 milhões após decisão de Trump

Por 3 min de leitura Expresso Rio
imigrantes-ilegais-podem-pagar-multa-de-r$-9,2-milhoes-apos-decisao-de-trump
Imigrantes ilegais podem pagar multa de R$ 9,2 milhões após decisão de Trump
Seguir no Google News
Ouvir texto Pronto
Manifestantes protestam diante de centro de detenção do ICE em Newark
Manifestantes diante de centro de detenção usado pelo ICE em Newark, Nova Jersey. Foto: Reprodução

O governo de Donald Trump enviou mais de 103 mil multas a imigrantes que permaneceram nos Estados Unidos após receberem ordens de remoção, em uma ofensiva para pressioná-los a deixar o país. As cobranças chegam a US$ 998 por dia e podem acumular US$ 1,8 milhão — cerca de R$ 9,2 milhões — por pessoa em até cinco anos.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA informou que o Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE, aplicou as penalidades entre 20 de janeiro de 2025 e meados de julho de 2026. A agência busca mais de US$ 84 bilhões com as notificações e afirmou ter arrecadado mais de US$ 1,2 milhão até 16 de julho.

As cartas acusam os destinatários de terem deixado “deliberadamente” de sair dos EUA, mesmo em casos de pessoas que tentam regularizar a situação migratória. Junto das notificações, o governo distribuiu material que incentiva a autodeportação por meio do aplicativo CBP Home e promete perdão das multas a quem usar a ferramenta para deixar o país.

A mexicana Vivi Vasquez, que vive há 17 anos nos Estados Unidos e tem um pedido de visto humanitário em andamento, recebeu em abril uma cobrança de US$ 1.820.352. Com autorização de trabalho, ela atuou em uma loja de conveniência e cuidou de idosos; seus três filhos nasceram nos EUA.

Donald Trump fala ao microfone
Donald Trump. Foto: Reprodução

Advogados contestam cobranças e citam risco de confisco

Vasquez conseguiu cancelar a multa com a ajuda do advogado de imigração John Leschak, de Nova Jersey. “São pessoas que têm casas, carros, negócios em seus nomes”, disse ele. “O governo diz que elas correm o risco de ter tudo isso confiscado.”

Organizações de assistência jurídica e advogados entraram com ações federais para tentar barrar a política. Eles alegam que as cobranças violam o devido processo legal e a proibição constitucional contra multas excessivas nos Estados Unidos.

Em manifestação judicial contra a suspensão da medida, o governo Trump sustentou que permanecer no país para buscar outras formas de alívio migratório não elimina a conclusão de que a pessoa descumpriu, de forma deliberada ou voluntária, a ordem de remoção.

Uma das contestações envolve um homem de 68 anos que recebeu ordem de remoção em 2012, mas permaneceu no país após o DHS suspender sua saída. Ele cuida da esposa, cidadã americana com câncer, e recebeu uma cobrança de US$ 579.838; o ICE manteve a decisão após recurso apresentado pela defesa.

Advogados também relatam que alguns imigrantes transferiram bens e retiraram seus nomes de escrituras de imóveis para tentar proteger patrimônio. Charles Moore, da organização Public Justice, afirmou que o DHS já enviou dívidas a empresas privadas de cobrança, reteve restituições de impostos e penhorou salários, enquanto o Departamento de Justiça levou dezenas de casos aos tribunais para exigir os pagamentos.

Ouvir texto Pronto