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Governo Lula rejeita pressão dos EUA para abandonar Tribunal Penal Internacional

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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Tribunal Penal Internacional TPI
Foto: Piroschka van de Wouw/Reuters

O governo brasileiro rejeitou a pressão dos Estados Unidos para que países da América Latina e do Caribe abandonem o Tribunal Penal Internacional (TPI). Diplomatas brasileiros avaliam que a ofensiva de Washington busca criar uma espécie de “blindagem jurídica” para ações conduzidas pelos Estados Unidos na região.

A pressão foi feita nesta quarta-feira (12) pelo secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, durante uma reunião no Panamá da Coalizão das Américas Contra Cartéis. Ele incentivou os integrantes do grupo a deixar o TPI e atacou a instituição, classificando-a como ilegítima.

O Brasil não faz parte da coalizão, mas integrantes da diplomacia brasileira ouvidos pela CNN interpretaram o discurso como uma tentativa de ampliar a influência do governo Donald Trump sobre toda a América Latina, inclusive sobre países que não aderiram à iniciativa militar liderada por Washington.

O movimento ocorre enquanto os Estados Unidos expandem sua campanha militar contra organizações classificadas como narcoterroristas. Na mesma reunião, Hegseth anunciou a entrada da Colômbia na coalizão e a realização de operações militares conjuntas contra redes do narcotráfico. A estratégia estadunidense na região já provocou questionamentos sobre a legalidade de ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas.

Lula
O presidente Lula (PT). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os Estados Unidos não fazem parte do Tribunal Penal Internacional. Isso, porém, não impede automaticamente que cidadãos estadunidenses sejam alcançados pela jurisdição da Corte: o próprio TPI informa que nacionais de países não signatários podem ser investigados por crimes previstos no Estatuto de Roma quando os fatos ocorrerem no território de um Estado submetido à jurisdição do tribunal, entre outras hipóteses.

O Brasil tem uma relação histórica distinta com a instituição. O país assinou o Estatuto de Roma em 2000 e depositou sua ratificação em junho de 2002, tornando-se um dos primeiros integrantes do TPI. A diplomacia brasileira tem reiterado em fóruns da própria Corte a defesa de seu fortalecimento e da cooperação entre os Estados-membros.

Uma eventual saída brasileira também não produziria efeito imediato. O Estatuto de Roma determina que o país interessado deve notificar por escrito o secretário-geral da ONU e que a retirada, em regra, só entra em vigor um ano depois. Obrigações referentes a investigações iniciadas anteriormente não desaparecem com a saída. A posição transmitida por diplomatas nesta quarta, porém, vai no sentido oposto: o Brasil não pretende acompanhar a ofensiva estadunidense contra o tribunal.

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