Pular para o conteúdo
Mundo

EUA enfrentam escassez de mísseis para defender Israel, alerta general ao Pentágono

Por 3 min de leitura Expresso Rio
eua-enfrentam-escassez-de-misseis-para-defender-israel,-alerta-general-ao-pentagono
EUA enfrentam escassez de mísseis para defender Israel, alerta general ao Pentágono
Seguir no Google News
Ouvir texto Pronto
Estados Unidos
O general Alexus Grynkewich, comandante do Centro Europeu dos EUA (EUCOM). Foto: Jacquelyn Martin/AP

Os Estados Unidos estão enfrentando uma escassez de recursos militares para continuar protegendo Israel contra ataques de mísseis balísticos iranianos, segundo revelou o The Washington Post. De acordo com a reportagem, o comandante do Comando Europeu dos EUA (EUCOM), general Alexus Grynkewich, alertou o Pentágono de que, sem o envio de mais um destróier da Marinha americana, Washington poderá ser obrigado a escolher entre defender seu próprio território ou manter a proteção de Israel.

O jornal afirma que o alerta foi feito no início desta semana a autoridades do Departamento de Defesa. Nem o Pentágono, nem o Comando Europeu, nem o governo israelense comentaram oficialmente a informação.

Desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, os Estados Unidos ampliaram sua presença militar no Oriente Médio, posicionando destróieres equipados com o sistema Aegis para interceptar mísseis lançados tanto pelo Irã quanto pelos rebeldes houthis, do Iêmen.

A preocupação com o consumo acelerado dos estoques de armamentos já havia sido revelada pelo The New York Times. Segundo o jornal, um dos principais motivos que levaram o presidente Donald Trump a suspender novos ataques contra o Irã neste mês foi justamente o risco de esgotar os sistemas de defesa antimísseis americanos na região.

De acordo com a publicação, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, advertiu que ampliar a campanha militar contra o Irã era operacionalmente possível, mas poderia comprometer seriamente a disponibilidade de interceptadores necessários para proteger as forças americanas sob responsabilidade do Comando Central (CENTCOM).

Tomahawk
Um míssil Tomahawk é disparado do USS Thomas Hudner em direção ao Irã, durante a Operação “Epic Fury”. Foto: Divulgação/Marinha dos Estados Unidos via Reuters

Os números mostram o tamanho do esforço americano. Segundo uma reportagem publicada pelo próprio Washington Post em maio, os Estados Unidos dispararam cerca de 300 mísseis interceptadores para defender Israel durante a guerra contra o Irã, enquanto Israel lançou aproximadamente 190.

Desse total, mais de 200 interceptadores THAAD — sistema de defesa de alta altitude — foram utilizados pelos EUA, consumindo aproximadamente metade de todo o estoque disponível do Pentágono. Além disso, destróieres americanos no Mediterrâneo Oriental dispararam mais de 100 interceptadores adicionais.

Em comparação, Israel lançou menos de 100 mísseis Arrow e cerca de 90 interceptadores David’s Sling, indicando que a maior parte da defesa antimísseis foi sustentada pelos Estados Unidos.

Segundo estimativas do Pentágono citadas pelo jornal, as forças americanas interceptaram aproximadamente o dobro de mísseis iranianos em relação às forças israelenses e dispararam cerca de 120 interceptadores a mais do que Israel durante o conflito.

A reportagem conclui que o apoio dos EUA consumiu uma parcela significativa dos estoques americanos de armamentos avançados. Um integrante do governo dos EUA, ouvido pelo Washington Post, resumiu a dependência israelense afirmando que “Israel não é capaz de lutar e vencer guerras sozinho, mas quase ninguém percebe isso porque nunca vê o que acontece nos bastidores”.

Ouvir texto Pronto