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Justiça

Delação de ex-auditor fecha o cerco sobre esquema bilionário de corrupção na gestão Tarcísio

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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Expresso Rio
O ex-auditor fiscal, Paulo Sérgio Siqueira do Prado. Foto: Reprodução

O ex-auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como “PP”, firmou um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público de São Paulo no processo que investiga um esquema bilionário de propinas dentro da Secretaria da Fazenda paulista durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas. Segundo apuração do g1, a Justiça homologou o acordo e determinou o desbloqueio dos bens e o levantamento das demais restrições patrimoniais impostas ao ex-servidor.

Paulo Sérgio é apontado pelos investigadores como um possível elo entre Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como “Rei Artur”, e Alberto Toshio Murakami, apelidado de “Americano”. Os dois são tratados pela investigação como figuras centrais do grupo suspeito de favorecer empresas na liberação de s de ICMS em troca de pagamentos milionários.

De acordo com o Ministério Público, servidores instalados em setores estratégicos da Fazenda aceleravam a análise de pedidos e autorizavam s tributários supostamente inflados. Ultrafarma e Fast Shop estão entre as empresas citadas nas investigações. As responsabilidades individuais ainda são apuradas.

Os promotores esperam que a colaboração de Paulo Sérgio ajude a esclarecer o papel de aproximadamente 40 servidores públicos do governo Tarcísio de Freitas investigados nas operações Ícaro, Mágico de Oz e Fisco Paralelo. O conteúdo dos relatos e as provas que teriam sido entregues pelo colaborador não foram divulgados.

Tarcísio
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Aposentado desde 2024, Paulo Sérgio ocupou posições de destaque na Receita Estadual. Em 2014, foi nomeado inspetor fiscal da Delegacia Regional Tributária da Capital e posteriormente assumiu interinamente a chefia da Delegacia Regional Tributária da Capital II durante afastamentos de Marcelo Bergamasco Silva, atual subsecretário da Receita Estadual.

A primeira fase da Operação Ícaro foi deflagrada em agosto de 2025 e atingiu o auditor Artur Gomes, o fundador da Ultrafarma, Sidney Oliveira, e um diretor da Fast Shop. Em março deste ano, as operações Mágico de Oz e Fisco Paralelo ampliaram a investigação para unidades da Fazenda na capital e no interior. Cinco auditores foram demitidos pela secretaria em abril.

Artur Gomes está preso e é acusado pelo MP de ter recebido R$ 383,6 milhões em propinas. Alberto Murakami, que atuava na análise de ressarcimentos tributários, é considerado foragido e foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Segundo os investigadores, ele estaria nos Estados Unidos.

A defesa de Paulo Sérgio não se manifestou até a publicação da reportagem. A homologação do acordo não confirma por si só as acusações nem comprova a responsabilidade das pessoas eventualmente mencionadas: as informações apresentadas pelo colaborador terão de ser verificadas e confrontadas com outras provas.

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