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Angela Davis critica Bolsonaro na Flip e diz que Brasil não pode eleger “o filho”

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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Angela Davis critica Bolsonaro na Flip e diz que Brasil não pode eleger “o filho”
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Angela Davis em mesa da Flip 2026 em Paraty
Angela Davis em mesa da Flip 2026, em Paraty. Foto: Reprodução

A ativista e escritora americana Angela Davis criticou a família Bolsonaro na Flip 2026, em Paraty, no sábado (25), e disse que o Brasil tem uma tarefa eleitoral importante pela frente. A fala ocorreu na mesa “América e África, Uma Conversa Atlântica”, mediada pela jornalista Flávia Oliveira, diante de cerca de 700 pessoas no Sesc Caborê. Com informações de Folha de S.Paulo.

Ao comentar a ascensão da extrema direita nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina, Davis afirmou que esse campo político não representa o povo. “Vocês não podem permitir que o filho de… como é mesmo o nome dele? Seja o próximo”, disse, sob aplausos, em referência a Flávio Bolsonaro.

A escritora explicou que evitava pronunciar o nome citado por causa de uma tradição africana ligada ao ato de nomear. “Por isso, prefiro não pronunciá-lo”, afirmou. Antes, ela havia dito que “costumamos associar o poder apenas àqueles que ocupam cargos públicos” e defendeu a eleição de “boas pessoas” para essas funções.

A mesa marcou a primeira participação de Angela Davis em Paraty e sua décima passagem pelo Brasil. O encontro começou às 18h30, com meia hora de atraso, e também teve transmissão em telões montados para o público que ficou fora do espaço principal.

Crítica a incorporadoras e defesa de engajamento

Davis lamentou a ausência do escritor nigeriano Wole Soyinka, que dividiria a mesa com ela. “Esperamos que ele possa deixar o hospital em breve e se juntar a nós em uma futura conferência”, disse a ativista no início da conversa.

Depois de visitar o Quilombo do Campinho, a escritora criticou empreendedores e incorporadoras da região de Paraty. Ela afirmou que esses grupos buscam ampliar lucros enquanto expulsam pessoas de suas terras, muitas vezes ancestrais, e contaminam o solo local.

“Mesmo em um festival literário, o foco não deveria ser apenas a literatura, mas também o papel que ela desempenha ao ampliar a consciência das pessoas e, sobretudo, ao servir de inspiração para o engajamento nas lutas que podem trazer mais democracia e liberdade”, disse Davis.

Ao tratar da obra de Lélia Gonzalez, Davis retomou a crítica ao capitalismo e citou a concentração extrema de riqueza. Ela também se recusou a pronunciar o nome de Elon Musk ao falar de bilionários e trilionários que, segundo ela, exploram seres humanos e recursos naturais “a ponto de a devastação ambiental alcançar um nível tão grave que talvez, no futuro, já não exista um planeta habitável”.

Questionada sobre o conceito de “ser Atlântica”, de Beatriz Nascimento, Davis afirmou que sua primeira grande forma de conscientização foi o internacionalismo. Ela contou que foi a Paris esperando encontrar “a sede da justiça e da igualdade no mundo”, mas se deparou com relações atravessadas pelo racismo e com a revolução Argelina, experiência que associou à ideia de Nascimento: “Eu sou sul-atlântica”.

A plateia aplaudiu Davis de pé no fim da mesa, e a ativista permaneceu no local para autografar dezenas de livros. Entre os presentes estavam Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Aline Midlej, Erica Malunguinho e Marina Person; horas antes, leitores já formavam fila para tentar acompanhar o encontro.

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