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Política

Em convenção de Flávio divide ministros do TSE, vídeo com IA de Bolsonaro

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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Em convenção de Flávio divide ministros do TSE, vídeo com IA de Bolsonaro
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Flávio Bolsonaro na Convenção Nacional do PL, enquanto um vídeo produzido com IA exibe Jair Bolsonaro ao fundo. Foto: Maria Isabel Oliveira/O Globo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve definir os limites para o uso de inteligência artificial em campanhas ao julgar uma ação do PT contra o vídeo que simulou voz e imagem de Jair Bolsonaro para apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A peça foi exibida na convenção do PL e dividiu ministros sobre a possibilidade de um “deepfake do bem”. Com informações de O Globo.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, já indicou que não identifica ilícito no episódio. Outros integrantes da Corte defendem que o plenário faça uma análise mais ampla para esclarecer se a clonagem de imagem ou voz representa, por si só, uma irregularidade eleitoral ou se exige prova de tentativa de enganar o eleitor e causar dano ao pleito.

A representação sustenta que o material constituiu uso irregular de inteligência artificial, propaganda eleitoral antecipada e abuso dos meios de comunicação. Se reconhecer a infração nessa ação, o TSE poderá mandar retirar o vídeo das redes e aplicar multa aos responsáveis, sem efeito direto imediato sobre a candidatura.

O caso pode voltar à Justiça Eleitoral por meio de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral após o registro das candidaturas, cujo prazo termina em 15 de agosto. Nessa modalidade, a legislação admite a apuração de abuso de poder político ou econômico e uso indevido dos meios de comunicação, com risco de cassação e inelegibilidade.

Resolução permite IA, mas veda alteração de voz e imagem

As regras do TSE autorizam o uso de inteligência artificial para produzir ou editar vídeos, fotos, áudios e textos, desde que a campanha informe de forma clara que o conteúdo é sintético e indique a tecnologia utilizada. A norma também proíbe conteúdos falsos que possam comprometer a lisura da eleição.

O ponto de conflito está na vedação ao uso de conteúdo sintético para “criar, substituir ou alterar a imagem ou a voz de pessoas” a fim de favorecer ou prejudicar candidaturas. Uma interpretação considera proibida qualquer clonagem humana por IA, ainda que autorizada ou sem intenção de enganar; outra limita a punição a materiais com finalidade ilícita.

Em março, o TSE adotou entendimento rigoroso ao condenar por unanimidade vídeos de inteligência artificial que mostravam Barack Obama, Taylor Swift, Tom Cruise e Cristiano Ronaldo apoiando um candidato do PT à Prefeitura de Fortaleza em 2024. Os ministros concluíram que o caráter evidentemente fictício das peças não afastava a irregularidade.

Alexandre de Moraes citou esse precedente ao pedir explicações a Jair Bolsonaro sobre o vídeo da convenção do PL. Em junho, Nunes Marques também mandou retirar uma publicação do influenciador Lázaro Rosa que usava IA para simular declarações de Flávio Bolsonaro sobre o caso Master, ao afirmar que a adulteração eleitoral pode configurar propaganda irregular mesmo sem demonstração de potencial para induzir o eleitor em erro.

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