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Política

Starmer entrega cargo de primeiro-ministro do Reino Unido a Burnham

Por 6 min de leitura Expresso Rio
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Starmer entrega cargo de primeiro-ministro do Reino Unido a Burnham
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O Reino Unido iniciou nesta segunda-feira (20) uma nova etapa política com do cargo de primeiro-ministro e ao comando do governo britânico. A transição ocorre após semanas de preparação e quase um mês depois de Starmer anunciar que deixaria a chefia do Executivo, pressionado por uma sequência de crises que abalaram sua administração.

A cerimônia de despedida começou em frente à residência oficial do primeiro-ministro, na Downing Street 10, onde Starmer fez seu último pronunciamento como chefe de governo antes de seguir para o Palácio de Buckingham para apresentar formalmente sua renúncia ao rei Charles III.

Em seu discurso, o agora ex-primeiro-ministro fez um balanço da passagem pelo governo e afirmou deixar o cargo satisfeito com o trabalho realizado.

“Saio com elegância, com um sorriso e orgulhoso de tudo o que conquistamos”, afirmou.

Starmer também aproveitou a despedida para demonstrar unidade dentro do Partido Trabalhista e declarar apoio ao novo líder da legenda.

“Desejo-lhe todo o sucesso e ele tem meu total apoio”.

Tradição britânica marca troca de comando

Após o pronunciamento, Keir Starmer seguiu ao Palácio de Buckingham acompanhado da esposa para participar da tradicional audiência com o rei Charles III.

Na reunião, o premiê apresentou oficialmente sua renúncia, encerrando seu mandato. Em seguida, o monarca recebeu Andy Burnham, responsável por formar o novo governo e assumir oficialmente o cargo de primeiro-ministro.

O procedimento segue um dos ritos mais tradicionais da política britânica. Como o Partido Trabalhista continua detendo a maioria parlamentar, não há necessidade de convocação de novas eleições gerais para a escolha do chefe de governo.

No sistema político do Reino Unido, quando um primeiro-ministro renuncia, cabe ao partido que possui maioria na Câmara dos Comuns indicar um novo líder, que passa automaticamente a exercer o cargo após ser convidado pelo rei.

Burnham foi escolhido sem disputa interna

A ascensão de Andy Burnham foi consolidada na última sexta-feira (17), quando ele foi confirmado como novo líder do Partido Trabalhista.

Sua eleição ocorreu sem disputa interna, já que foi o único candidato apresentado para substituir Keir Starmer.

Com a confirmação na liderança da legenda, Burnham ficou apto a assumir o comando do governo britânico.

Em seu primeiro discurso após ser escolhido pelos trabalhistas, o novo líder procurou afastar qualquer percepção de divisão interna na legenda.

“Estamos unidos”, discursou.

Novo premiê promete combater inflação

Além do discurso de unidade, Andy Burnham apresentou as primeiras diretrizes de seu governo.

Entre as prioridades está o combate ao aumento do custo de vida, tema que dominou o debate político britânico nos últimos meses e contribuiu para o desgaste da gestão anterior.

Burnham defendeu maior atuação do Estado sobre os preços de produtos considerados essenciais.

“Se não temos controle público suficiente sobre o custo de bens essenciais, como podemos conter a inflação?”, questionou.

O novo primeiro-ministro também afirmou que pretende governar de forma equilibrada para todas as regiões do Reino Unido.

“Serei um líder para o norte, o sul, o leste e oeste”.

Queda de Starmer foi marcada por sucessivas crises

A saída de Keir Starmer encerra um governo que durou menos de dois anos, apesar da expressiva vitória obtida pelo Partido Trabalhista nas eleições gerais.

Quando chegou ao poder, Starmer conquistou ampla maioria no Parlamento, encerrando um longo período de domínio conservador. No entanto, a expectativa de estabilidade política foi rapidamente substituída por uma sequência de problemas econômicos e crises de imagem.

Ao longo de sua administração, a economia britânica permaneceu estagnada, contrariando as promessas de recuperação feitas durante a campanha eleitoral.

Ao mesmo tempo, medidas como o aumento de impostos e a redução de benefícios destinados aos idosos ampliaram a insatisfação entre diferentes setores da população.

Escândalos ampliaram desgaste político

Além das dificuldades econômicas, o governo enfrentou episódios que comprometeram sua credibilidade.

Nos primeiros meses da gestão, veículos da imprensa britânica revelaram que Starmer e integrantes de seu gabinete haviam recebido presentes de financiadores do Partido Trabalhista, incluindo roupas de grife, óculos de luxo, ingressos para partidas de futebol e para shows, entre eles um da cantora Taylor Swift.

Embora as doações estivessem dentro das normas parlamentares e tivessem sido declaradas oficialmente, a divulgação provocou forte desgaste na imagem do primeiro-ministro, que havia construído sua trajetória política com um discurso de austeridade.

Outro episódio de grande repercussão ocorreu em fevereiro de 2026.

Na ocasião, o chefe de gabinete de Starmer deixou o cargo após indicar Peter Mandelson para a embaixada britânica nos Estados Unidos, mesmo tendo conhecimento dos vínculos de Mandelson com Jeffrey Epstein.

O caso gerou críticas ao governo e levou o próprio Starmer a reconhecer publicamente que houve erro na condução do processo.

Derrota eleitoral acelerou pressão interna

O agravamento da situação política tornou-se evidente nas eleições regionais realizadas em maio deste ano.

O Partido Trabalhista sofreu uma derrota histórica, perdendo centenas de cadeiras em parlamentos locais e ampliando a insatisfação entre parlamentares da própria legenda.

Os levantamentos de opinião também refletiram esse cenário.

Em maio, apenas 13% dos britânicos aprovavam o governo Starmer, enquanto 79% manifestavam rejeição à sua liderança, o pior índice registrado para um primeiro-ministro britânico desde 1977.

Diante desse quadro, cerca de 100 parlamentares trabalhistas passaram a defender publicamente sua saída.

Apesar de resistir durante semanas, Starmer acabou anunciando sua renúncia em 22 de junho, encerrando um mandato de apenas 23 meses.

Como funciona a escolha do primeiro-ministro britânico

Ao contrário do que ocorre em sistemas presidencialistas, o primeiro-ministro do Reino Unido não é eleito diretamente pela população.

Nas eleições gerais, os eleitores escolhem os integrantes da Câmara dos Comuns. O partido que conquista a maioria das cadeiras forma o governo, e seu líder normalmente é convidado pelo monarca para assumir o cargo de primeiro-ministro.

Por esse motivo, a renúncia de Keir Starmer não exigiu uma nova eleição nacional. Bastou que o Partido Trabalhista escolhesse um novo líder para que Andy Burnham assumisse o comando do governo britânico.

Com a posse do novo premiê, o Reino Unido inicia uma nova fase política em meio aos desafios de recuperar a economia, controlar a inflação e reconstruir a confiança da população após um período de forte desgaste enfrentado pelo governo trabalhista.

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