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Queimadas caem 58% no Brasil em 2025; Amazônia lidera queda

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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Queimadas caem 58% no Brasil em 2025; Amazônia lidera queda
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Vegetação desmatada do cerrado queimada em fazenda no oeste da Bahia
Fileiras de vegetação desmatada do cerrado queimadas em fazenda na zona rural de São Desidério, no oeste da Bahia. Foto: Reprodução

A área atingida pelo fogo no Brasil caiu 58% em 2025, um ano após os incêndios que levaram o país a um patamar histórico. O território queimado passou de 302 mil km² em 2024 para 127 mil km² no ano passado.

Os dados são da segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, lançado pela rede de pesquisadores MapBiomas na noite desta segunda-feira (20). Mesmo com a melhora, o total queimado ainda equivale a quase metade da área do estado de São Paulo, que tem 248 mil km², ou à soma das áreas de Santa Catarina e Rio Grande do Norte.

A Amazônia puxou a redução nacional e registrou o menor índice da série histórica da plataforma, iniciada em 1985. O bioma teve 31,4 mil km² atingidos pelas chamas em 2025, contra 158,2 mil km² no período anterior.

Ane Alencar, diretora de Ciências do Ipam (Instituto de Pesquisa da Amazônia) e coordenadora do MapBiomas Fogo, atribuiu a queda a uma combinação de fatores. “A questão climática importa muito. O período chuvoso atrasou de 2024 para 2025 e foi até abril, maio, em grande parte da região. Em algumas regiões, a chuva nem parou completamente. Isso foi importante para segurar o processo de queima”, afirmou.

A pesquisadora também relacionou o recuo dos incêndios à redução do desmatamento, que diminui s de ignição. Ela citou ainda protocolos de controle e prevenção estabelecidos após 2024, operações de fiscalização e a pressão do STF (Supremo Tribunal Federal) para que os estados preparassem planos contra queimadas.

Expresso Rio
Trabalhador enfrentando queimada. Foto: reprodução

Cerrado liderou área queimada e Pantanal teve maior impacto proporcional

O cerrado concentrou 69% da área queimada em 2025, enquanto a Amazônia respondeu por 25%. Na sequência aparecem caatinga, com 4%, mata atlântica, com 2%, pantanal, com 1%, e pampa, com 0,1%.

Na média histórica entre 1985 e 2025, 71,5% do fogo no Brasil atingiu vegetação nativa, enquanto 28,5% avançou sobre áreas transformadas pela ação humana, como pastagens e lavouras. Em 2025, o percentual em florestas, campos, savanas e áreas pantanosas chegou a 79%, somando 100 mil km²; no cerrado, 74,6 mil km² de vegetação nativa queimaram, o equivalente a 86% de tudo que ardeu no bioma.

A série de quatro décadas também indica que 52% das áreas com recorrência de fogo voltam a queimar em até quatro anos. A Amazônia concentra os retornos mais rápidos: 31,6% da área queimada volta a arder em até dois anos, o que, para a pesquisadora Vera Arruda, do Ipam e do MapBiomas Fogo, degrada a floresta e deixa os locais mais suscetíveis a novos incêndios.

No cerrado, Arruda afirma que as s de ignição hoje são majoritariamente humanas, embora o bioma tenha evoluído historicamente com fogo de origem natural. O pantanal, que também tem o fogo em seu regime natural, foi o mais atingido proporcionalmente, com 69% de sua área queimada; Alencar citou o impacto da seca e do calor associados ao El Niño e afirmou que o país precisa controlar o uso do fogo: “A inflamabilidade da paisagem é um dos elementos importantes para que o fogo aconteça e propague. Outro elemento importante é quem bota o fogo.”

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