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Política

Por que Lula considera faltar a debates do 1º turno

Por 4 min de leitura Expresso Rio
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Lula durante debate da TV Globo na eleição de 2022
Lula no debate da TV Globo no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Foto: Reprodução

O presidente Lula (PT) avalia não participar dos debates do primeiro turno da campanha de 2026, decisão que abriu divisão na cúpula petista às vésperas da oficialização de sua candidatura à reeleição.

Uma ala do PT teme que Lula, como único candidato de esquerda na disputa, fique isolado diante de adversários do campo antipetista. Nesse cenário, ele enfrentaria ataques de nomes como o senador Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

Outro grupo do partido defende a presença do presidente nos debates para usar o palco contra Flávio Bolsonaro, apontado como seu principal adversário. A avaliação dessa ala é que a ausência de Lula poderia reduzir as chances de confronto direto com o senador.

Pela legislação eleitoral, emissoras e veículos que organizarem debates terão obrigação de convidar Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado e Augusto Cury (Avante). O STF definiu no ano passado que o cálculo considera o resultado da eleição de 2022 para a Câmara, sem contar mudanças partidárias posteriores.

Debate da Band coincide com plano de lançamento da candidatura

A dúvida mais imediata envolve o debate da Band, tradicionalmente o primeiro da campanha presidencial, marcado para 16 de agosto. Lula também quer realizar nessa data o ato de lançamento de sua candidatura, o que pode inviabilizar sua participação no programa.

O PT trabalha para fazer o evento no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), local ligado à trajetória política de Lula. No fim dos anos 1970, quando presidia o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ele comandou assembleias de grevistas no estádio.

Aliados informaram Lula na terça-feira (14) que o jogo entre São Bernardo e Botafogo de Ribeirão Preto, pela série B do Campeonato Brasileiro, seria antecipado, abrindo caminho para o ato político. Pessoas próximas à cúpula petista ainda veem possibilidade de adiar o evento para liberar o presidente para o debate, mas a direção do partido trabalha com a data de 16 de agosto.

A estratégia eleitoral de Lula inclui explorar o caso do Banco Master e o tarifaço do governo americano contra produtos brasileiros, associado por petistas à afinidade do bolsonarismo com Donald Trump. Em maio, veio a público um áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao antigo dono do banco, Daniel Vorcaro, para concluir um filme sobre Jair Bolsonaro (PL).

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Donald Trump e Flávio Bolsonaro no Salão Oval, na Casa Branca. Foto: Reprodução

Presidentes candidatos à reeleição já evitaram debates no primeiro turno em outras campanhas. Lula não foi aos encontros de 2006, quando buscava o segundo mandato, e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também ficou fora em 1998, eleição que venceu no primeiro turno.

A decisão de Lula ainda não está tomada, e aliados admitem avaliações caso a caso. Uma hipótese discutida é o presidente comparecer a um debate posterior se considerar que sofreu ataques relevantes em um encontro do qual tenha ficado ausente.

O lançamento da candidatura deve apresentar a história política de Lula, que chegará aos 80 anos e disputará sua última eleição. O PT tenta mobilizar apoiadores para encher a Vila Euclides, operação considerada mais difícil do que a organização de atos políticos tradicionais.

Lula também busca ampliar presença em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Sua aliança estadual terá o ex-ministro Fernando Haddad (PT) como candidato ao governo contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado como favorito e com chances de vencer no primeiro turno.

Levantamento Quaest divulgado na quarta-feira (15) mostra Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 28% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, o petista aparece com 45%, ante 37% do senador; a margem de erro é de dois pontos percentuais.

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