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Economia

“Não confiávamos em ninguém”, diz diretor do BC sobre investigação ao Banco Master

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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“Não confiávamos em ninguém”, diz diretor do BC sobre investigação ao Banco Master
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Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central
Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central. Foto: Reprodução

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, disse à Polícia Federal que a autarquia enfrentou “vazamentos sistemáticos de informações internas” sobre o Banco Master e que ele e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, “não confiavam em ninguém naquele momento”. O relato integra um depoimento sigiloso prestado em 25 de maio.

Ao investigar suspeitas de corrupção envolvendo os servidores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, subordinados de Aquino, a PF questionou o diretor sobre o sigilo em torno da liquidação do Master, decidida em novembro de 2025. Aquino afirmou que restringiu a informação a poucas pessoas para evitar que ela chegasse ao controlador da instituição, Daniel Vorcaro.

“Tudo vazava — decisões, análises, votos ainda em fase de minuta —, chegando ao conhecimento tanto dos fiscalizados quanto da imprensa; que era um ambiente hostil e muito difícil”, declarou Aquino, conforme o termo do depoimento. Ele não apontou responsáveis nem citou episódios específicos, pois disse não querer ser “leviano”.

O diretor afirmou que Belline e Paulo Sérgio não sabiam da decisão de liquidar o banco. Segundo Aquino, nem todos os integrantes da diretoria do Banco Central tiveram conhecimento prévio da medida, que exigia sigilo para garantir a execução.

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Entrada do Banco Master. Foto: reprodução

Suspeitas sobre dois servidores chegaram a Aquino em janeiro

Galípolo comunicou a Aquino, em reunião de 7 de janeiro de 2026 com a presença do procurador do BC Cristiano Cozer, que recebera informações anônimas sobre possíveis pagamentos de Vorcaro a Belline e Paulo Sérgio. Aquino disse que ouviu os dois servidores ainda naquele dia e que ambos confirmaram negócios com pessoas ligadas ao empresário.

Belline relatou ter prestado consultoria de R$ 2 milhões a Leonardo Palhares, embora tenha dito desconhecer relações entre o contratante e o Banco Master. Paulo Sérgio informou que vendeu uma propriedade rural em Minas Gerais por R$ 4,5 milhões a uma pessoa ligada a Vorcaro. O Banco Central abriu procedimento na corregedoria e afastou os servidores.

Em novembro de 2025, Vorcaro participou de uma videoconferência com a Diretoria de Fiscalização para apresentar uma proposta de venda do Master ao grupo Fictor, em consórcio com investidores árabes. Aquino disse que a decisão pela liquidação já estava tomada e que encerrou a reunião sem assumir compromissos. Naquele mesmo dia, a PF prendeu Vorcaro pela primeira vez.

O diretor também relatou que determinou a um chefe de divisão que estivesse na porta do Banco Master na manhã seguinte, mantendo a ordem sob sigilo. A diretoria do BC aprovou a liquidação no mesmo dia, e a equipe comunicaria a medida ao banqueiro às 7h, quando já estivesse na instituição.

A defesa de Paulo Sérgio negou que ele tenha recebido vantagem indevida e afirmou que a venda do imóvel ocorreu de forma legítima, com pagamentos declarados à Receita Federal. Os advogados sustentam que ele defendia internamente a liquidação do Master desde março de 2025 e que sua atuação ajudou a identificar indícios de irregularidades no banco.

Os advogados de Belline afirmaram que ele exerceu suas funções no Banco Central de modo técnico e lícito, sem favorecer o Master. A defesa declarou que o servidor “jamais recebeu qualquer pagamento” de Vorcaro ou do banco e que prestará os esclarecimentos necessários à Polícia Federal.

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