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Política

PEC da Segurança: Governo Lula aproveita tensão com Trump para impulsionar reforma e projeto de terras raras

Por Atualizado em 8 Jul 2026, 15h45 4 min de leitura Expresso Rio
Expresso Rio
Imagem: Reprodução
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a recente escalada das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos pode abrir uma nova janela política para acelerar projetos considerados estratégicos no Congresso Nacional.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, integrantes do governo defendem que a decisão do presidente norte-americano Donald Trump de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas ampliou a pressão internacional sobre o tema da segurança pública e criou um ambiente favorável para impulsionar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.

A proposta é uma das principais apostas do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e busca ampliar a integração entre as forças de segurança, fortalecer mecanismos de combate ao crime organizado e melhorar a coordenação entre União, estados e municípios.

Governo vê oportunidade política

Segundo interlocutores do governo federal, a aprovação da PEC poderia funcionar como uma resposta institucional do Brasil às recentes iniciativas adotadas pelos Estados Unidos.

A avaliação é de que o país poderia demonstrar, por meio da legislação, compromisso com o fortalecimento das políticas públicas de combate às organizações criminosas, evitando que o debate fique restrito ao campo diplomático.

O tema ganhou relevância após a repercussão internacional da decisão anunciada por Donald Trump envolvendo facções brasileiras, aumentando a pressão sobre autoridades e parlamentares para apresentar respostas concretas ao avanço do crime organizado.

Terras raras entram no centro da estratégia

Além da PEC da Segurança, o governo também pretende acelerar um projeto voltado às chamadas terras raras, conjunto de minerais considerados essenciais para a economia global.

Esses minerais são utilizados na fabricação de baterias, veículos elétricos, celulares, equipamentos eletrônicos, sistemas militares, satélites e tecnologias ligadas à transição energética.

O Brasil possui uma das maiores reservas potenciais desses recursos no mundo, fator que vem ganhando importância diante da crescente disputa internacional por matérias-primas estratégicas.

Dentro do governo, a avaliação é de que a regulamentação e o fortalecimento da cadeia produtiva nacional podem aumentar a soberania econômica brasileira e ampliar o poder de negociação do país em acordos internacionais.

Desafio está no Senado

Apesar da articulação política em curso, integrantes do governo reconhecem que a tramitação das propostas ainda enfrenta obstáculos importantes no Congresso Nacional.

O principal desafio é convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a priorizar as matérias na pauta de votações.

Nos últimos meses, interlocutores do Planalto intensificaram negociações com lideranças do Congresso. Entre os principais articuladores está o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, responsável por conduzir parte das conversas com parlamentares.

Segurança pode esperar outras pautas

Mesmo com o esforço para acelerar as votações, a avaliação dentro do próprio governo é que a PEC da Segurança dificilmente avançará antes da definição de outras propostas consideradas prioritárias pelo Congresso.

Entre elas está o debate sobre mudanças na escala de trabalho 6×1, tema que tem mobilizado parlamentares, sindicatos e setores empresariais.

Nos bastidores do Senado, governistas e oposicionistas avaliam que o tema da segurança pública continuará em evidência, mas poderá disputar espaço com outras pautas econômicas e sociais consideradas urgentes.

O que está em jogo

A discussão sobre segurança pública e terras raras ultrapassa o campo político e passa a envolver interesses estratégicos relacionados à economia, defesa nacional e posicionamento geopolítico do Brasil.

Enquanto o governo busca acelerar a tramitação das propostas, o Congresso deverá decidir se os projetos terão prioridade na agenda legislativa dos próximos meses.

O resultado dessas negociações pode influenciar diretamente a política de segurança pública do país e o papel do Brasil na disputa global por recursos minerais considerados essenciais para as tecnologias do futuro.

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