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Política

Enchentes, ondas de calor e queimadas: os estragos do El Niño

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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Enchentes, ondas de calor e queimadas: os estragos do El Niño
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Enchente no Rio Grande do Sul. Foto: Reprodução

O El Niño deve ganhar força no segundo semestre de 2026, alcançar intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão e aumentar o risco de eventos extremos no Brasil. O alerta está em boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em conjunto com órgãos federais.

O painel calcula 100% de probabilidade de permanência do fenômeno ao menos até o início de 2027. A categoria de El Niño muito forte ocorre quando o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial supera 2°C, condição que pode alterar a circulação atmosférica, os ventos, o transporte de umidade e a formação de chuvas em várias partes do planeta.

Os efeitos esperados incluem enchentes, estiagens prolongadas, temporais, ondas de calor e queimadas, mas os órgãos técnicos ressaltam que o El Niño não define sozinho as condições do tempo. Outros sistemas meteorológicos podem agravar ou reduzir seus impactos em cada região e em cada período.

No Sul, onde o fenômeno historicamente tem maior influência durante a primavera e o verão, a previsão aponta maior frequência de chuva acima da média, temporais, cheias de rios, alagamentos e deslizamentos. Os grandes volumes registrados no Rio Grande do Sul em julho, com enchentes em municípios do estado, já são apontados como impactos iniciais deste ano.

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Mapas usados no documento “Painel El Niño”. Foto: Inmet

Seca no Norte e no Nordeste pode pressionar rios e reservatórios

O boletim chama atenção para a situação do Sul porque a região não enfrenta um déficit hídrico tão grande, diferentemente do cenário de 2023. Com mais água disponível no solo, episódios adicionais de chuva intensa podem facilitar o transbordamento de rios.

Nas lavouras, a umidade pode favorecer culturas de inverno em algumas fases, mas o excesso eleva o risco de doenças fúngicas e dificulta o manejo e a colheita. Na Amazônia, a tendência é oposta: menos chuva, temperaturas acima da média e atraso no estabelecimento da estação chuvosa em parte do território.

A estiagem pode baixar os níveis dos rios, comprometer a navegação, pressionar o abastecimento de água e prejudicar atividades econômicas dependentes das bacias amazônicas, além de ampliar o risco de incêndios florestais.

O Norte deve registrar chuvas abaixo da média sobretudo em Roraima e no norte do Amazonas. Já no Nordeste, a expectativa para o verão e o outono é de redução da duração da estação chuvosa, prolongamento da estiagem e menor disponibilidade de água em rios e reservatórios, principalmente na porção norte da região.

A seca moderada alcança atualmente cerca de 40% do Nordeste, ante aproximadamente 10% em junho de 2023, aponta o Painel El Niño. No Centro-Oeste, o atraso das chuvas, o calor e a baixa umidade devem elevar o risco de queimadas; no Sudeste, temperaturas acima da média e eventual atraso da chuva de primavera podem reduzir a umidade do solo e aumentar a demanda por água e energia.

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