Pular para o conteúdo
Política

Como ministros do STF reagiram ao ataque de Flávio Bolsonaro às urnas

Por 3 min de leitura Expresso Rio
como-ministros-do-stf-reagiram-ao-ataque-de-flavio-bolsonaro-as-urnas
Como ministros do STF reagiram ao ataque de Flávio Bolsonaro às urnas
Seguir no Google News
Ouvir texto Pronto
Flávio Bolsonaro
Senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) classificaram como grave a fala do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que levantou dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas e avaliam que o episódio merece atenção da Justiça Eleitoral. Segundo o Globo, integrantes da Corte defendem que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirme de forma mais clara a segurança e a confiabilidade do sistema de votação.

Na reunião com embaixadores realizada na terça-feira, Flávio citou um relatório desclassificado pela CIA sobre supostas vulnerabilidades do sistema eleitoral venezuelano e associou o documento à empresa Smartmatic. O senador afirmou que “muitas dessas máquinas que são registradas para as eleições brasileiras têm a mesma origem nessa empresa venezuelana”.

Depois da fala, Flávio pediu que países enviem observadores internacionais para acompanhar as eleições brasileiras. Ele também voltou a defender a reunião promovida por Jair Bolsonaro com diplomatas em 2022, episódio que entrou no julgamento que tornou o ex-presidente inelegível por oito anos.

O TSE evitou comentar diretamente as declarações do senador e encaminhou uma checagem do próprio tribunal, publicada originalmente em 2020 e atualizada em 2022. A nota afirma que “a empresa Smartmatic não fornece urnas eletrônicas, nem softwares eleitorais para o Brasil” e registra que a companhia nunca vendeu urnas eletrônicas ao país.

TSE é pressionado a reafirmar segurança das urnas

Ministros do STF veem diferenças entre o caso de Flávio Bolsonaro e o episódio que levou Jair Bolsonaro à inelegibilidade, principalmente pelo contexto das declarações e pelo alcance da manifestação. Mesmo assim, a avaliação reservada é que questionamentos sem provas sobre o sistema eletrônico de votação não devem ser relativizados.

Integrantes da Corte consideram insuficiente a resposta do TSE até agora, por ter se limitado a reproduzir uma checagem antiga sobre a Smartmatic. A expectativa é que o tribunal mantenha a linha adotada nos últimos anos e faça um posicionamento público em defesa da integridade do processo eleitoral antes da campanha de 2026.

Uma ala de ministros do TSE associa o episódio ao precedente do ex-deputado estadual Fernando Francischini. Em 2021, o tribunal cassou o mandato do parlamentar por divulgar informações falsas sobre urnas eletrônicas durante o segundo turno das eleições de 2018, decisão que passou a orientar casos de ataques à confiabilidade do sistema.

Essa orientação apareceu novamente no julgamento de Jair Bolsonaro. O TSE entendeu que o então presidente cometeu abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação ao reunir embaixadores, em julho de 2022, para apresentar acusações sem provas contra o sistema eleitoral brasileiro.

A resolução sobre propaganda eleitoral estabelece que o uso da internet e de serviços de mensagens para difundir “informações falsas ou descontextualizadas” sobre o sistema eletrônico de votação e a Justiça Eleitoral configura uso indevido dos meios de comunicação. O texto também prevê, conforme as circunstâncias, abuso de poder político e econômico.

Ouvir texto Pronto