O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) completa 70 anos em 2026 destacando sua trajetória nas áreas de ciência, tecnologia, saúde e energia. Fundado em 1956 e vinculado à Universidade de São Paulo (USP) e à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o instituto abriga o primeiro reator nuclear de pesquisa instalado no Brasil e mantém atuação considerada estratégica para diferentes setores do país.
Um dos principais campos de atuação do IPEN é a produção de radiofármacos utilizados em procedimentos de medicina nuclear. Segundo informações apresentadas pela instituição, sua produção responde por cerca de 85% da demanda nacional desses materiais. A diretora-superintendente do IPEN, Isolda Costa, afirmou que as atividades ligadas à medicina nuclear contribuem para a realização de milhões de atendimentos no país. “Isso é absolutamente essencial para a saúde da população. A gente faz entre 2 milhões e 3 milhões de atendimentos”, declarou.
Ao longo de sua história, o instituto também participou de pesquisas relacionadas ao ciclo do combustível nuclear, inclusive em cooperação com a Marinha do Brasil, além de desenvolver tecnologias destinadas a reatores, irradiação de materiais e aplicações industriais e ambientais. O IPEN mantém ainda parcerias com instituições estrangeiras, incluindo cooperações envolvendo a Rússia na área de radioisótopos e na formação e intercâmbio de pesquisadores.
De acordo com Isolda Costa, a internacionalização das pesquisas é considerada importante para ampliar a formação científica dos profissionais brasileiros e aproximar o instituto de tecnologias desenvolvidas em outros países. “É importantíssimo internacionalizar, é muito fundamental para a gente também criar, formar pesquisadores com uma visão mais ampla do que se faz no mundo”, afirmou a diretora-superintendente.
Para os próximos anos, o IPEN pretende ampliar pesquisas relacionadas à transição energética, incluindo projetos envolvendo hidrogênio e amônia verdes. A instituição também aponta como áreas de interesse o fortalecimento da segurança nuclear, cibernética e ambiental, além de estudos relacionados à presença e aos impactos de microplásticos nos oceanos.
Outro eixo considerado estratégico pelo instituto é o desenvolvimento de técnicas para separação e purificação de terras raras, conjunto de elementos utilizados em setores como eletrônica, energia renovável e tecnologias de alta complexidade. Segundo a direção do IPEN, a experiência acumulada pelo instituto desde a década de 1960 e a infraestrutura disponível poderão contribuir para novas pesquisas e projetos nacionais nessa área, considerada relevante para ampliar a autonomia tecnológica brasileira.




